terça-feira, 1 de novembro de 2016

GRUPO 02

Giulia - Isabel - Isabela - Júlia - Juliana - Larissa 

Relacione o diagnóstico de Mariátegui para “o problema do índio” no Peru – a
ideia de que o problema indígena deve ser procurado no “problema da terra” (p.61) – ao “materialismo histórico”, isto é, à concepção marxista de história
(utilize, para isso, “O manifesto do partido comunista” e/ou “Sobre o conceito de
história”).



2. Índios organizam-se em “comunidades”. O termo é usado por Mariátegui, e
sugerido por Pierre Clastres na sua concepção da sociedade indígena como não
hierárquica e, assim, contra o Estado. Busque relacionar a organização fraternal
indígena com a escolha do pai de “A terceira margem do rio” de desvincular-se
da organização familiar a que pertencia.



3. O pai de “A terceira margem do rio” opta por viver num lugar e num espaço
onde não se pode compreendê-lo (termo que abrange diferentes sentidos:
entendê-lo, decifrá-lo, abarcá-lo ou envolvê-lo). Relacione esta ideia à demanda
por terra (Mariátegui) para manutenção da existência e da vida indígenas.

21 comentários:

  1. Referente a terceira questão:
    O pai, personagem de A terceira margem do rio de Guimaraes Rosa, se apaixona pela eternidade do rio. Ao se deslocar do espaço e a ordem em que vive, rompe uma sucessão, nega a sua função de poder no ecossistema denominado família, que não deixava de fazer parte de sua cultura. E por mais que seu filho tentasse se aproximar dele, não conseguia, estava preso as margens das lógicas familiares, enquanto o pai havia adentrado na "dialética de doar a vida, nutri-la e desaparecê-la novamente" (DORNELES, Edson K., O Rio: lugar sagrado da literatura ameríndia). O pai passa a viver da troca natural, acha seu próprio ritmo, da inconstância.
    Na luta de classes observada por Mariátegui, o índio deve também procurar pela metafísica do rio, que possibilita epifanias, cria espaços e guia direções. Em serviço do gamonismo, segundo Mariátegui, o indígena incaico passa a explorar sua própria cultura, pois sua força econômica se encontra na terra, e sem ela, muda drasticamente as tendências ancestrais de sua raça. O índio acredita no rio como um deus, e é extremamente conflitante que ele passe a demarcar divisões de terra, pertencendo a um gamonal. Para o rio não existe possibilidade de demarcação, o rio é infinito e volúvel, assim como a alma humana.
    O contexto problemático do indígena peruano é referente a terra, sua única fonte econômica e também onde é refém do latifúndio feudal de gamonais. Portanto, o indígena vê sua liberdade no socialismo, já que esse ordena as reivindicações da classe trabalhadora. De acordo com Mariátegui, essa população indígena inca teria “condições tão favoráveis para o comunismo agrário primitivo, subsistente em estruturas concretas e no profundo espírito coletivista, transforme-se sob a hegemonia da classe proletária, numa das bases mais sólidas da sociedade coletivista preconizada pelo comunismo marxista. (MARIÁTEGUI, 1991, p.244)”
    O índio precisa de uma terra indeterminada, assim como o pai da terceira margem do rio, pois no momento em que é delimitada, induz a bipartição e a disputa de classes. O personagem de Guimarães Rosa se posiciona em uma não terra, nos limiares da civilização, semelhante a qual o índio procura.

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    1. ISABELA- O pai se apaixona pela eternidade do rio ou simplesmente decide romper a sucessão que você citou?

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    2. Interessante pensar a terra como o rio nos termos que vc coloca... lindo começo!
      ps: conheço o Edson.

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    3. Vejo o rio como uma metáfora para seu encontro consigo mesmo, Isabela. Para isso ele teve que modificar seus laços familiares, em meu ver...

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    4. Carol, foi uma relacao que consegui estabelecer com o auxilio desse livro dele! Adorei :)

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  2. Referente a questão número três:
    Em “A terceira margem do rio” é possível observar que o pai do narrador decide viver uma vida que diverge dos padrões aceitos como normais pela sociedade e que essa atitude desestabiliza e incomoda sua família, que passam a questionar sua decisão de se isolar e manter alienado. A partir dessa ideia pode-se relacionar a escolha de vida indígena à decisão tomada pelo pai, e a família representa os colonizadores e o pensamento que se iniciou na sociedade dessa época.
    O “problema do índio” não pode, nem deve ser visto como um problema moral ou cultural. A cultura e os costumes não serão esquecidos por tentativas de educar ou evangelizar os índios, esse não é o problema deles, o problema do índio foram os anos que passaram sendo torturados, saqueados e sendo obrigados a tornarem escravos, para no fim perderem todo e qualquer direito sobre a terra que habitavam. Sendo que para o índio, a terra é sagrada, pois tem ligações com as lembranças, memórias e experiências, além de outros fatores e os costumes sagrados, já que em sua cultura para tudo há uma ligação.
    A tragédia ocorrida no Peru de acordo com Mariátegui provém da colonização realizada, na qual a economia feudal foi utilizada como pilar na formação de uma nova sociedade e por meio dela foi introduzida uma esfera escravista por meio do tráfico de escravos. Segundo ele, para o Peru voltar a ser ideal, seria necessária uma Revolução utilizando como base o Comunismo do antigo Império Inca, por ter sido dentre tantos outros fatores o mais desenvolvido e harmonioso sistema comunista criado.

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Giulia, em seu texto voce menciona que o pai, de a terceira margem do rio, prefere se manter alienado "Que não tem a capacidade de compreender ou de conhecer a realidade que o cerca" dicionário informal. Eu penso que ele toma a escolha de nao participar do sistema arcaico de sua familia, e parte para buscar sua integridade na natureza inconstante do rio. Nesse contexto, é válido nos perguntar: de quê estamos nos alienando?

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    3. Boa pergunta, Julia. Muito atenta.
      Agora, a pergunta que tenho pra você é: por que estamos nos alienando?

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    4. Talvez nos transbordames de atividades para evitar um de nossos maiores medos, nós mesmos.

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  3. Segunda questão:

    O narrador-personagem de Guimarães Rosa, espera pela volta de seu pai, que decide "abandonar" a família preferindo a completa solidão do rio. O filho tenta de todas as maneiras um contato com ele, que recusa sempre. O restante da familia do narrador consegue tomar outros rumos. É como que de certa forma ele dependesse do pai para tomar algum rumo.
    A relação dos índios em sua comunidade não é como a do filho com o pai, em "A terceira margem do rio", de dependência cada um sabe exatamente o que fazer dentro da tribo sem precisar dessa figura autoritária que na família é representada pelo pai.
    Com a decisão do pai de ficar no barco ele deixa de lado essa posição autoritária que ele representa diante da família, fazendo com que cada pessoa siga as suas próprias decisões sem serem influenciadas por uma figura autoritária, como funciona o Estado que Pierre Clastres cita em seu texto.

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    1. Larissa, você acredita que se os índios tivessem uma figura autoritária liderando a tribo desde o início, poderiam haver menores danos à realidade em que viviam? Ou em consequência desse Estado teórico a realidade indígena se alteraria na mesma linearidade do Estado que conhecemos?

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    2. Boa, boa resposta, Larissa. Concisa e muito clara.

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  4. Isabela 2) Tanto Mariátegui quando Pierre Clastres ao utilizarem o termo comunidades, se referindo ao modo de vida indígena, querem dizer que eles vivem em um ambiente onde todos seguem os mesmos valores e normas. Sendo assim, não há relação de poder, todos tem a mesma “importância”. O chefe das tribos não tem poder de nada, ele apenas dispõe para estabelecer a ordem e a concórdia. No texto de Guimarães Rosa é possível observar um pai que se absteve da posição de poder que todo pai tem numa relação familiar, ele simplesmente foi viver na terceira margem do rio.

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    1. Então o que seria a Terceira Margem do Rio segundo seu entendimento?

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    2. Isabela, mesmo numa relação de poder, há normas e valores que são compartilhados, não?

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  5. QUESTÃO 3

    O Anseio de criar raízes, a inerente necessidade humana de se sentir seguro no que lhe pertence, a dependência da terra.
    Em A Terceira Margem do Rio vemos claramente um homem que põe à prova todas estas questões e através de suas ações fica a dúvida a cerca da veracidade destes fatos, um pai de família que se dispõe a fazer uma mudança, incompreendido e julgado, uma pessoa que através de suas drásticas medidas finalmente se põe a busca de suas verdades, ou talvez até mesmo suas mentiras, um ser humano na busca de suas fontes, na caça de si mesmo.
    Porém não apenas isso, A Terceira Margem do Rio trata daquele que está a margem, daquele que não faz a ação, mas a sofre, aquele que não toma as medidas mais arca com as consequências. Quem está a margem não necessariamente se encontra perdido no rio, no problema, contudo no fluxo da água quando o rio joga para a margem alguma espuma essa por sua vez impacta a terra na qual bate. O conhecimento e passado, a mudança e feita e a família sabendo ou não passa por um autodescobrimento.
    Assim, se dá também a relação dos índios com a terra, eles precisam dela para se organizar socialmente em nome de algo e em sentido a alguma coisa. Essa busca pela terra, não é só no sentido físico como também no contextual, qual a representatividade da terra para um povo que aprendeu a viver dela?
    A relação de um índio com a terra se dá de uma forma uma forma básica, muito além de uma dependência para subsistência. O desenvolvimento dos índios peruana segundo Mariátegui está estritamente ligado ao cultivo da terra, sua política, sua história, suas hierarquias, essa e a representatividade, eles eram uma sociedade indígena impregnada de um marxismo utópico, que se tornava possível por viverem as margens das turbulentas águas europeias onde os problemas então reinavam, eles pegavam, mesmo sem saber, as experiências de um ocorrido e a aprimoravam, criando assim um povo com consciência social e individual.

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    1. O rio seria uma forma de refúgio?

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    2. Juliana, muitas coisas a comentar, muitos caminhos possíveis a partir da sua reflexão. Gosto muito da ideia de que os índios viveriam "às margens das turbulentas águas europeias"

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  6. Muito bom! Por favor levem seus textos e comentários amanhã. Quero muito que consigamos ter uma discussão tão boa quanto as intervenções de vocês aqui.
    ps. Isabel?

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