terça-feira, 1 de novembro de 2016

GRUPO 03

Laura - Luana - Luisa - Mara - Stéphanie - Thalia

Relacione o diagnóstico de Mariátegui para “o problema do índio” no Peru – a
ideia de que o problema indígena deve ser procurado no “problema da terra” (p.61) – ao “materialismo histórico”, isto é, à concepção marxista de história
(utilize, para isso, “O manifesto do partido comunista” e/ou “Sobre o conceito de
história”).


2. Índios organizam-se em “comunidades”. O termo é usado por Mariátegui, e
sugerido por Pierre Clastres na sua concepção da sociedade indígena como não
hierárquica e, assim, contra o Estado. Busque relacionar a organização fraternal
indígena com a escolha do pai de “A terceira margem do rio” de desvincular-se
da organização familiar a que pertencia.


3. O pai de “A terceira margem do rio” opta por viver num lugar e num espaço
onde não se pode compreendê-lo (termo que abrange diferentes sentidos:
entendê-lo, decifrá-lo, abarcá-lo ou envolvê-lo). Relacione esta ideia à demanda
por terra (Mariátegui) para manutenção da existência e da vida indígenas.

18 comentários:

  1. Referente a questão 3 - Laura França

    Em a ‘’terceira margem do rio”, o pai passa a viver em um barco que não tem rumo, nem hora de chegar, sair ou voltar. Ele vive em uma terra onde ninguém conhece nem sabem se existe, chegar até ela era impossível já que o pai, sempre que aparecia, tratava de voltar para longe. Foram trazidas várias pessoas para tentar fazê-lo voltar, mas isso nunca acontecia.
    Os índios de Mariátegui vivem em uma terra que existe, mas que na verdade, não é deles perante a lei. Essa questão de terra, segundo Mariátegui, nasce na nossa economia, que tem sempre um poder maior que governa os outros. Para os índios não isso existe. Em uma tribo, os índios contem tarefas destinadas a cada um, sem uma hierarquia de poder, o que mais sabe, é o que mais viveu e adquiriu ao longo de suas vidas os aprendizados.
    A realidade econômica dos índios é diferente da sociedade com Estado, que pensa que eles precisam de um poder econômico e do Estado, eles vivem do que a terra pode oferece-los. Segundo Mariátegui, “ Melhorar a condição do índio- escreve Enoinas- é a melhor maneira de elevar sua condição social. Sua força econômica encontra-se na terra, ali se encontra toda sua atividade. Retirá-los da terra é mudar, de forma profunda e perigosa, tendências ancestrais da raça. ”
    O mesmo aconteceria com o filho que espera que seu pai volte. A imaginação que ele tem sobre a terra em que seu pai vive, o faz viver todo dia entregue a uma esperança que pode não ser concreta. Mas tirá-lo essa esperança, faria o filho perder todo o trajeto e a vida que o filho construiu nas margens do rio, à espera de que um dia seu pai volte.

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    1. Laura, você afirma que a sociedade indígena não tem uma hierarquia de poder. Mas em muitas tribos ( principalmente no brasil) é possível ver que, existem chefes de família. Ou seja, mesmo que as atividades estejam distribuídas para todos. Só quem tem o poder da escolha e da decisão são os "homens da casa". O que, automaticamente, o tornam um representante de poder. Gostaria de saber então, como você pensa apartir disso?

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    2. Laura, tem uma questão importante que deve ser corrigida. Os índios de Mariátegui são índios que viveram num império, o império inca. E, como tal, numa hierarquia. Clastres chega a afirmar que esta era uma sociedade indígena e com estado, diferente, portanto, dos tupi-guarani que ele estudava.

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    3. Pergunta feminista, Thalia. Uma questão, realmente.

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  2. Questão 1- Mara Ferreira
    Mariátegui diagnostica como sendo os problemas do índio peruano diretamente relacionado à perda de sua terra, que é, para eles, a sua fonte de produção (já que eram essencialmente agrícolas) e cultura. Quando a mesma é tirada deles, apropriadas pelos espanhóis e criollos, sentem como se a felicidade tivesse sido arrancada, como citado por Mariátegui , "Em uma raça com costume e alma agrárias como a raça indígena, esse despojo foi a causa de uma dissolução material e moral. A terra sempre foi a felicidade do índio". Ele afirma em sua obra " Sete ensaios de interpretação da realidade peruana" que a solução desse problema deve vir pelos próprios índios.
    Para Marx materialismo histórico é um modo de explicar a historia, as mudanças sociais com base na materialidade. Afirma que a história não se faz pelas ideias e sim pelos
    homens. Na época em que escreve "Manifesto do Partido Comunista" a Europa está no período de industrialização. Nesse movimento surgem duas classes: burgueses e proletariados (dominantes e dominados, respectivamente). E a indústria é o cenário onde ocorre efetivamente a exploração da mão de obra. Marx no mesmo texto afirma que a mudança, a revolução, viria pelo proletariado.
    Como na terra se produz e gera lucro, podemos comparar essa a indústria, que também tem como mão de obra, uma classe explorada. Assim podendo ser relacionado o conceito de Marx sobre história e a causa do problema indígena de Mariátegui. Apesar dos contextos e personagens serem diferentes, o tema é o mesmo, a exploração por causa de uma economia. Já que há exploração de uma classe(dominante) sobre outra (dominados), com a mesma ferramenta que é a detenção do que se baseia o trabalho e a mais-valia, no caso da descrição feita por Marx as indústrias e no de Mariátegui, a terra.


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  3. QUESTÃO 2 - STÉPHANIE VERAS

    A sociedade indígena se comporta de maneira horizontal, ou seja, não há uma hierarquia a respeito do comportamento que os índios têm perante à sua própria comunidade. Até mesmo o Pajé da tribo não tem a autoridade de controlar os indivíduos que pertence a esta. Mesmo assim, há uma divisão de tarefas entre gêneros e faixa etária. Isso estabelece um pouco o dever funcional do ameríndio em cada comunidade.
    No caso da obra, nota-se uma configuração tradicional de família que o pai de “A Terceira Margem” pertence, temos o Pai como a Base da estrutura, aquele que trabalha para o sustento de sua família, tomando papel de esteio. Em seguida, verifica-se a Mãe como auxiliadora na formação responsável de cada ser, dentro do ambiente familiar. A partir do momento que o Pai abandona sua família para viver no rio, se rompe essa estrutura tradicional. Onde os membros passam a viver em uma horizontalidade.
    A relação entre a sociedade ameríndia com essa família, se dá pela essência de romper a configuração de família que supostamente existe.
    A diferença entre os dois, está no poder de escolha. O índio escolhe viver nessa configuração, e principalmente rejeitar a figura tradicional de família. Já os membros que compõe a história, foram “obrigados” a viver em uma estrutura diferente que já estavam acostumados a viver.

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    1. gosto de: "A relação entre a sociedade ameríndia com essa família, se dá pela essência de romper a configuração de família que supostamente existe"

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  4. Questão 1 - THALIA LIMA
    Mariategui nos fala de diferentes problemas associados aos índios. Temos o de que o problema do índio, é um problema de educação. Hoje, o pedagogo e boa parte da população tem conhecimento de que a educação não é baseada apenas na escola e em seus professores, o seu meio social e econômico influência e muito no condicionamento educacional de qualquer sociedade. Os índios são dependentes do modelo gamolista e que por isso é muito difícil de se ter acesso à educação ( já que isso desestruturaria os dominantes). Como mariategui nos diz, " A escola e o mestre estão irremediavelmente condenados a se desnaturalizar sob pressão do ambiente feudal, inconciliável com a mais elementar concepção progressiva ou evolucionista das coisas".
    Vamos então, a uma nova colocação de problemátizacao ao índio. O problema da terra.
    Há cerca de muito tempo atras, quando ainda havia o império inca ( por exemplo) estipula-se que sua população era não menos do que 10 milhões e que, com a chegada dos espanhóis tenha se decimado.
    Esses tais "conquistadores" - como assim foram intitulado pelos historiadores- eram de um número muito inferior, mas utilizaram da agressão e da aterrorização com armas e cavalos para o estabelecimento de um regime de exploração e escravidão dos índios, que permanece até hoje. Os humanitários ( termo utilizado por mariategui) bem que tentaram "apaziguar" esse "dano sofrido", através de leis de direitos a terra e a uso dela de forma livre.

    O materialismo histórico também está bem presente nesse regime. Já que, segundo Marx, há uma classe de dominantes, dominados e uma luta entre elas. Que seriam as coisas brutais e matérias que o sistema feudalismo tanto busca e deseja mais e mais.

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    1. PERGUNTA LUIZA PIMENTEL

      Poderíamos dizer que o governo Temer possui alguns aspectos do gamonalismo?

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    4. Você cita o fato do Índio não poder ter acesso à educação. Mas essa educação não poderia ser algo subjetivo? O índio se manteve durante anos, antes da chegada dos europeus, com uma boa estrutura que teoricamente funcionava. Então por que educar o índio? Por que não mante-lo com sua própria educação de origem? E impedir que alguém intervenha até mesmo por meio institucionais(catequização talvez) em suas vidas?

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    5. Pergunta de Mara Ferreira para Thalia Lima
      Seu texto passa a ideia de que se os índios pudessem ter acesso a educação em geral (não apenas a gerada pela escola), eles poderiam resolver seu problema. Porém segundo a minha interpretação do livro " Sete ensaios de interpretação da realidade peruana", a educação é desqualificada como tese de problema do índio, por ser unilateral e exclusiva. Assim não sendo o real problema e sim uma derivação do problema da terra. Sua afirmação de que o problema do índio é um problema de educação é baseado em pesquisas fora do livro ou foi uma outra interpretação do mesmo ?

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    6. Pergunta de Laura França para Thalia Lima

      Em seu texto você cita que Mariategui nos fala de diferentes problemas associados aos índios, e diz que um deles e a educação, você acha que a educação poderia afetar os outros problemas que Mariategui cita ou os outros problemas poderiam afetar a educação?

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    7. As perguntas são boas...
      Realmente, Thalia, o problema da educação não é de fato o problema, segundo Mariátegui.

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  5. QUESTÃO 1 - LUIZA PIMENTEL

    Em "Os Sete Ensaios", o escritor marxista latino -americano, Mariátegui, argumenta sobre o "problema do índio". No texto, ele afirma que tal impasse tem como origem a questão da posse da terra, e não uma questão moral ou filosófica.
    "A reivindicação indígena carece de concreção hostórica enquanto se mantiver em um plano filosófico ou cultural. Para adquiri-la ­- isto é, para adquirir a realidade, corporeidade - precisa-se converter em reivindicação econômica e política."
    Em "Sobre Conceito de História", Benjamin (também seguidor dos ideais marxista) argumenta sobre o processo histórico, em que cita o Historicismo e o Materialismo Histórico. O Historicismo, que está diretamente interligado a luta de classes, tem como papel criar uma síntese que determine quem domina e quem é dominado, já o Materialismo Histórico procura teorizar a história, de modo a escrever uma história que dê voz a todas as camadas sociais.
    "A história universal não tem qualquer armação teórica. Seu procedimento é aditivo. Ela utiliza a massa dos fatos, para com eles preencher o tempo homogêneo e vazio."
    No caso dos quéchuas (índios sul-americanos), o tal "problema do índio" se deu a partir da colonização pelos Espanhóis, mas não como consequência dos novos costumes e leis, e sim pela posse das terras dos índios.
    "A terra sempre foi a felicidade do índio"
    O sistema feudalista tomou o peru e o transformou em latifúndios feudais. Os índios que viviam expalhados nessas terras foram designados a serem servos, por serem considerados de uma raça inferior -isto , por conta de um pensamento historicista que estimula a hierarquização de classes e grupos.
    Por fim, Mariátegui diz que o problema do índio é a retirada da posse de suas terras e não um problema cultural ou moral por que, se pensado dessa forma, não estaria-se pensando na visão dos índios e sim na visão dos colonizadores, já que, na verdade, o que os índios perderam foi sua autonomia por conta da desapropriação do seu espaço.

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    1. Boa!
      Teria sido ainda mais lindo desenrolar sobre essa citação: "A história universal não tem qualquer armação teórica. Seu procedimento é aditivo. Ela utiliza a massa dos fatos, para com eles preencher o tempo homogêneo e vazio."

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  6. Queridas, levem, por favor, seus escritos e comentários amanhã.
    ps: Luana?

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